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Projeto Educar para Compartilhar

Apoio Rigu&Gross, entidades de cooperação da Bélgica.


1. Informa√ß√Ķes gerais

1.1. Executor: Fundação Rureco em parceria com a Pastoral Operária de Guarapuava

1.2. Objeto: Capacitação de agentes multiplicadores de Economia Popular Solidária.

Título fantasia: Educar para compartilhar

1.3. √Ārea de Abrang√™ncia: Munic√≠pio de Guarapuava, Paran√°, Brasil

1.4. Apoio financeiro: RIGU&GROOS, Agência de Cooperação da Bélgica

1.5. Período de Execução: até 30/12/2011

2. Descrição resumido do grupo/população alvo do projeto.

O p√ļblico do projeto s√£o pessoas de baixa renda, residentes na periferia urbana de Guarapuava ‚Äď Paran√° -Brasil, cujo rendimento m√©dio mensal √© inferior a R$ 125,00 (‚ā¨ 48,07), sendo que o grau de escolaridade, em sua maioria √© abaixo de at√© 8 (oito) anos de estudos.

Como forma de minimizar os problemas de sobreviv√™ncia das fam√≠lias, existem atualmente v√°rios programas assistenciais do governo federal, nos quais a maioria das pessoas est√£o inseridas. Dentre os costumes culturais destas fam√≠lias, herdados da viv√™ncia no campo, cabe aqui ser destacado o costume de troca e empr√©stimos entre fam√≠lias, al√©m da ajuda m√ļtua entre vizinhos e parentes, o que contribui positivamente para o desenvolvimento do projeto.

3. Descrição e justificativa do projeto

a) Grupo a ser atendido pelo projeto

O projeto destina-se a pessoas, que em sua maiora, s√£o oriundas da zona rural, atingidas pelos impactos negativos do processo de moderniza√ß√£o da agricultura iniciado na d√©cada de 70. O modelo agr√≠cola implementou inova√ß√Ķes tecnol√≥gicas (mecaniza√ß√£o, sementes h√≠bridas e uso de agroqu√≠micos) e foi fortememente apoiado pelo governo da √©poca com cr√©dito, pesquisa e assist√™ncia t√©cncia. Ao se dirigiram para os centros urbanos, em busca de alternativa de sobreviv√™ncia, instalaram-se nas periferias da cidade, muitas em √°reas de invas√£o, o que ocasiona a faveliza√ß√£o dos mesmos. Estes integram grande parte da m√£o-de-obra das ind√ļstrias madeireiras da cidade, al√©m da constru√ß√£o civil e do trabalho informal.

b) Características do grupo atendido

Os grupos assistidos pelo projeto possuem renda familiar igual ou inferior a um sal√°rio m√≠nimo (R$ 415,00 = ‚ā¨ 160), 80% trabalham na informalidade, por isso encontram-se abandonadas e √† margem dos processos de desenvolvimento local. Grande parte delas, atualmente, dependem de Programas assistenciais do Governo Federal, conforme relatado acima. Dada o distanciamento do ambiente de origem (meio rural), perdem gradualmente o seu referencial cultural dificultando a sua inser√ß√£o na comunidade urbana tendo que se sujeitar a servi√ßos mal remunerados e exercidos em condi√ß√Ķes muitas vezes prec√°rias. Como consequ√™ncia, constituem o contingente de pessoas desfavorecidas do ponto de vista econ√īmico e social. Politicamente s√£o alvo f√°cil dos pol√≠ticos inescrupulosos em per√≠odos eleitorais sendo usados como massa de manobra e vendendo seus votos por cestas b√°sicas ou pequenos favores.

O projeto pretende trabalhar diretamente com 100 pessoas através de um processo de formação com enfoque na temática da Economia Popular Solidária. Pretende-se que essas pessoas tornem-se agentes multiplicadores de práticas solidárias de convivência e geração de renda. Indiretamente o projeto atingira cerca de outras 2000 pessoas as quais fazem das comunidades urbanas onde o projeto atuará. Pretende-se que as 100 pessoas diretamente atendidas sejam provenientes de 6 favelas da periferia de Guarapuava, cuja população é de aproximadamente 22.000 (dados numéricos estimados pelos agentes da Pastoral Operária).

c) Necessiddes a serem atendidas

O munic√≠pio de Guarapuava √© a 80¬ļ cidade no IDH-M (√ćndice de Desenvolvimento Humano Municipal) do estado do Paran√° (399 munic√≠pos); sua renda per capita √© de R$ 292,11 (IBGE, 2000). Esta realidade √© agravada pelas baixas condi√ß√Ķes de saneamento b√°sico e educa√ß√£o. Da renda mensal, 40,96 % √© destinado a alimenta√ß√£o. Diante deste quadro torna-se necess√°rio projetos que viabilizem meios de complementar a renda dessas pessoas . Dentre as necessidades b√°sicas que ser√£o atendidas pelo projeto destacam-se a gera√ß√£o de renda e a forma√ß√£o para a cidadania. Para se trabalhar esses dois aspectos ser√° realizado cursos de capacita√ß√£o em Economia Solid√°ria, visando uma nova forma de organiza√ß√£o do trabalho de forma solid√°ria e auto-gestora. Os benefici√°rios diretos ser√£o organizados em duas turmas de 50 pessoas cada turma. O processo de forma√ß√£o ser√° desenvolvido em 5 etapas para cada turma. O curso ter√° como objetivo gerar reflex√Ķes que possibilitem aos educandos fazer uma leitura da sua realidade e buscar alternativas para superar a situa√ß√£o na qual se encontram. O curso ter√° duas turmas de 50 pessoas; cada turma ter√° a forma√ß√£o divida em 5 estapas, totalizando cada turma 40 horas de forma√ß√£o. Ap√≥s o processo de forma√ß√£o, atrav√©s de uma agente volunt√°rios j√° capacitada, ser√° feito reuni√Ķes de acompanhamento dos grupos refletindo sobre os avan√ßos obtidos, dificuldades encontradas e estimulando pr√≥-atividade na busca das solu√ß√Ķes dos seus problemas.

d) Metodologia a ser adotada

Nos encontros ser√° utilizada metodologia participativa que sirva como exerc√≠cio da autonomiza√ß√£o das pessoas e suas fam√≠lias, est√≠mulo a coopera√ß√£o m√ļtua, discuss√£o com o grupo para identificar alternativas de trabalho, valorizando as pr√≥prias experi√™ncias existentes na comunidade e/ou em comunidades pr√≥ximas.

√Č importante ressaltar que as pessoas envolvidas neste projeto fazem parte de uma pastoral social e cotidianamente possuem uma viv√™ncia desta pr√°tica . As a√ß√Ķes pr√°ticas do projeto ser√£o uma ferramento para o debate e reflex√£o das fam√≠lias no sentido de despert√°-los para as suas pr√≥prias capacidades de resolu√ß√£o de poblemas. Espera-se, ainda, que o trabalho ora apresentado, sirva de est√≠mulo para para o fortalecimento de la√ßos de solidariedade e de coopera√ß√£o entre as fam√≠lias, num trabalho cont√≠nuo.

O processo acima descrito se fundamenta nos ‚ÄúC√≠rculos de Cultura‚ÄĚ defendida por Paulo Freire, √© entendida como um lugar onde todos tem a palavra, din√Ęmicas, viv√™ncias que possibilitam a constru√ß√£o coletiva do conhecimento. A partir de um tema identificado atrav√©s de consulta ao grupo, se realiza um debate mediado pelo educador. A medida que o tema √© debatido cabe ao educador, junto com os part√≠cipes do grupo, acrescentar ‚Äútemas dobradinhas‚ÄĚ, ou seja: assuntos que se inserem como fundamentais para compreens√£o das rela√ß√Ķes de poder existentes e a capacidade dos educandos em interferir na realidade.

O efeito desejado pelo projeto ser√°: a) que os participantes atendidos consigam sair da sua in√©rcia e tomem iniciativas no sentido de superar os seus problemas (agir e n√£o esperar); b) que as pessoas envolvidas atuem junto ao poder p√ļblico local e reivindiquem melhores condi√ß√Ķes de vida no espa√ßo urbano, se reconhecendo como sujeitos sociais.

e) Contrapartida do grpo atendido

Eventuais contribui√ß√Ķes financeiras do p√ļblico alvo ser√° muito dif√≠cil, dada o seu est√°gio de empobrecimento. Contudo lhes ser√° exigido compromisso com a proposta do projeto, no sentido de atuarem e disponibilizarem tempo para forma√ß√£o e atua√ß√£o.

Considerando que se espera efeito de multiplica√ß√£o, ser√° solicitado aos grupos, ainda, a possibilidade de disponibilizar a sua experi√™ncia para que outros grupos e/ou fam√≠lias visitem a experi√™ncia e adquiram informa√ß√Ķes sobre a mesma, construindo e participando de uma Rede de Economia Solid√°ria, formada por grupos de pessoas em todo o Estado do Paran√°.

Da comunidade local, atrav√©s de apoios do Poder P√ļblico local (Prefeituras), ser√£o solicitados recursos financeiros, humanos e materiais que ajudem a implementa√ß√£o das a√ß√Ķes previstas e, mesmo, para a sua replica√ß√£o em outros grupos, possibilitando a continuidade do trabalho.


f) Proposta de sustentabiliade do Projeto

Por meio da Pastoral Oper√°ria e seus militantes ser√£o feitos acompanhamentos, tais como, reuni√Ķes mensais com os grupos procurando auxiliar e incentivar as atividades encaminhadas pelo projeto, o que proporcionar√° a sobreviv√™ncia deste. Como valor agregado, exercitar√£o formas de solu√ß√£o de problemas que poder√£o ser utilizadas em outras situa√ß√Ķes, tais como as dificuldades financeiras encontradas no cotidiano das fam√≠lias que ser√£o beneficiadas pelo projeto, pois um dos objetivos seria fomentar a cultura da troca de servi√ßos e bens entre os participantes como forma de resist√™ncia √† racionalidade pautada unicamente na l√≥gica do mercado.

Espera-se que o Projeto, uma vez conclu√≠do, n√£o demande gastos, seja operacionais e/ou de funcion√°rios pelas fam√≠lias atendidas, pois o mesmo ter√° uma continuidade que ser√° exercida pelos militantes da Pastoral Oper√°ria de Guarapuava. Caso haja necessidade,outros custos poder√£o ser assumidos pelo poder p√ļblico local, atrav√©s de programa espec√≠fico resultante do projeto, ou mesmo atrav√©s de apoios da sociedade em geral.

g) Gest√£o do Projeto

O projeto foi discutido pela coordena√ß√£o da Funda√ß√£o RURECO com agentes da Pastoral Oper√°ria de Guarapuava. Essa Pastoral tem muitos anos de trabalho junto a esse p√ļblico, atuando principalmente em processos de forma√ß√£o mediados por militantes volunt√°rios. Portanto, a demanda levantada partir da necessidade do trabalho de base desses agentes.

Durante a execu√ß√£o do projeto se refletir√° sobre a melhor forma de gerar autonomia e participa√ß√£o dos benefici√°rios e mesmo dos agentes da Pastoral Oper√°ria. Duas situa√ß√Ķes foram discutidas: (i) a transfer√™ncia dos recursos, atrav√©s de conv√™nio, diretamente para a Pastoral Oper√°ria ou (ii) a administra√ß√£o dos recursos pela Funda√ß√£o Rureco com o acompanhamento de um grupo gestor do projeto formado por agentes da Pastoral e p√ļblico benefici√°rio.

Na medida que o projeto esteja sendo executado, pretende-se que as fam√≠lias consigam compreender a din√Ęmica do Projeto e possam estar participando efetivamente da sua execu√ß√£o avaliando as suas a√ß√Ķes e decidindo as melhores estrat√©gias para a supera√ß√£o do problema com o qual o projeto estar√° trabalhando.

Nas duas situa√ß√Ķes menciondas no item anterior, tanto a Funda√ß√£o Rureco quanto a Pastoral Oper√°ria possuem pessoal administrativo e de contabilidade executando todos os procedimentos conforme exigido pela legisla√ß√£o vigente.


4. Orçamento do projeto (EURO)

Alimentação (100 pesssoas) ...........2307,00
Deslocamento (Combustível)..........1730,00
Administração (10%)...................... 500,00
Material Did√°tico 770,00

Total 5.000



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